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Teresa Adão da Fonseca


Entrevista a Teresa TAF

 

 

1.  Qual foi o teu percurso para chegar até onde estás agora?

Sou a mais nova de 5 irmãos e cresci num meio familiar grande onde as matemáticas e as ciências reinavam. Ao mesmo tempo, sempre houve cuidado em manter uma forte ligação à cultura, à história, à filosofia e às Artes. Os meus pais cedo perceberam que seria um erro não promover uma educação mais artística – desde os 3 anos que as minhas professoras falavam na minha constante distração, a minha cabeça estava sempre noutro lado menos nas aulas, um ambiente que reprimia a criatividade e liberdade de expressão. A partir do momento em que a liberdade criativa e a expressão plástica começaram a fazer parte do meu dia-a-dia, tornei-me boa aluna. É por isso que hoje em dia acredito e luto por uma sociedade e educação com presença artística.

O meu percurso passou por diferentes áreas: o Design Gráfico, a Ilustração, a Pintura, e a Escultura. Também me interessei por Música e Dança, por isso, a relação do movimento do corpo com processo criativo está muito presente no meu percurso.

Quando saí de Portugal, concorri a Residências Artísticas – ambientes que me ajudaram a crescer e perceber melhor qual o caminho que queria fazer como artista. Aprendi imenso com outros artistas, que me orientaram com o seu exemplo e me propuseram sempre novos desafios teóricos e práticos. Foi assim que compreendi que ser artista é viajar até ao infinito – eque a qualquer momento podemos sentir-nos perdidos no meio do Universo, sem saber que caminho seguir. É uma constante aventura no desconhecido e no incógnito!

Sinto uma forte ligação à natureza, aos materiais orgânicos e à pigmentação natural. Agora, de volta ao Porto, espero ter a oportunidade de estar mais tempo em atelier a maturar todas estas experiências.

2.  Como é que começaste a explorar as tuas expressões criativas?

Tive a sorte de receber uma educação com uma dimensão espiritual que me permitiu olhar para a vida de forma mais aprofundada e menos superficial, e que me deu a liberdade de pensamento para descobrir o meu trabalho.

Já outros artistas o dizem: se nos distanciarmos dos valores materiais que nos envolvem e nos consomem no dia-a-dia, tornamo-nos mais sensíveis ao que nos rodeia, e conseguimos criar o nosso espaço de pensamento, de observação, de valores, de crítica e de criação. Eu tive a sorte de crescer neste espaço.

Lembro-me de ter 7 anos e participar num concurso europeu para crianças com um desenho e ganhar. O prémio era uma grande caixa de pintor (daquelas à séria) e umas VHS onde vários artistas falavam sobre como trabalhar as diferentes técnicas de pintura. Foi uma grande emoção ter ganho e claro que ainda hoje uso a caixa para guardar alguns materiais.

Depois com 11 anos tive o privilégio dos meus pais me levarem a um atelier de uma grande artista do Porto (Mónica Baldaque) que aceitou dar-me aulas de pintura todos os sábados de manhã. Neste atelier, rodeado por um lindo jardim ficava 3 horas a ouvir os mais velhos conversar e a observar tudo o que faziam, enquanto pintava e desenhava. Foram manhãs únicas que nunca vou esquecer e que influenciaram o meu percurso. Até ter 19 anos, foi ali que pintei. Depois, infelizmente, parei de pintar com regularidade durante uns anos. Trabalhei na área de design gráfico e noutros projetos e só mais tarde é que decidi que me ia dedicar a 100 % à pintura.

Penso que o ambiente familiar também me influenciou. Era uma família grande, brincávamos muito e tínhamos de ser criativos para criar os nossos próprios brinquedos, construíamos cabanas no meio da natureza e fazíamos teatros com roupas de trapos perdidos que íamos descobrir nas gavetas da casa antiga de família. Era um ambiente criativo – mas naverdade não era fácil ter um espaço para pintar com concentração e de forma rigorosa. Talvez por isso ainda hoje seja difícil para mim concentrar-me num só trabalho – gosto de estar a fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Sendo a filha mais nova, tive a sorte de acompanhar as viagens que o meu pai fazia em trabalho. Sempre que podia, a minha mãe levava-me a passear e a conhecer novas culturas. Na minha educação tiveram uma grande influência as idas ao Teatro, à Ópera, a Museus e a concertos. Mas também as coisas simples, como ter música clássica constantemente a tocar na sala, os serões de leitura, ou as conversas sobre temas importantes à refeição.

3.  Qual foi a tua inspiração para este trabalho? Como foi o teu processo criativo?

Normalmente, estamos muito concentrados num trabalho mais individual e processual onde o resultado final é sempre uma incógnita. Ter de responder a uma proposta específica é sempre um desafio para os artistas plásticos. Ficamos mais limitados quando temos de criar algo com uma funcionalidade concreta – todo o processo criativo fica mais condicionado, apesar de neste trabalho nos ter sido dada imensa liberdade criativa. Agradeço muito à Monarte ter-me lançado este desafio e ter confiado no meu trabalho.   

Resolvi criar um trabalho plástico livre e deixar para trás o planeamento que normalmente se faz em Design. Mesmo sabendo que teria de resultar numa impressão final em tecido, acabei por me centrar em fazer pinturas que estivessem ligadas ao meu trabalho.

Usei aguarelas e guache, e procurei o balanço de cores e formas na folha em branco. Procurei usar uma linguagem feminina e criar formas orgânicas que nos fazem lembrar corpos muito esbatidos espalhados no papel. Este processo resultou em vários trabalhos interessantes. No final, escolhi uma pintura com um padrão mais clean, mas as cores são muito alegres e fazem-nos viajar até ao verão.

 

 

"Beach Bodies"

Esta peça é sobre a leveza e liberdade do Verão. Formas orgânicas que fazem lembrar corpos esbatidos numa tela branca – ou corpos descansados, estendidos num areal. É um verão feminino, curioso e leve, o verão de Teresa TAF. O verão de qualquer pessoa que usar este vestido.

 

 


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